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Nunca se falou tanto sobre Inteligência Artificial, automação, transformação digital e produtividade.

As empresas estão acelerando investimentos, implementando novas ferramentas e redesenhando processos em uma velocidade que talvez nunca tenhamos visto antes.

Mas existe uma pergunta que está me incomodando:

Quem está preparando as pessoas para tudo isso?

Porque, enquanto discutimos tecnologia, existe um problema silencioso crescendo dentro das organizações: o desenvolvimento da liderança e dos times.

Falamos muito sobre estratégia.

Falamos sobre inovação.

Falamos sobre futuro.

Mas a estratégia não acontece na diretoria.

Ela acontece na ponta.

E existe um desafio enorme entre criar uma estratégia e conseguir fazer com que ela seja compreendida, executada e sustentada pelas pessoas.

A pergunta é simples:

Como uma empresa vai acelerar sua transformação se as pessoas responsáveis por executá-la não estão sendo preparadas para isso?

Uma pesquisa da Gallup mostra que grande parte dos profissionais está trabalhando em modo sobrevivência.

Cumprindo tarefas.

Batendo metas.

Pagando boletos.

Mas sem conexão real com propósito, desenvolvimento ou protagonismo.

E aí surge outro desafio.

Os líderes estão tentando conduzir transformações em um ambiente onde convivem diferentes gerações, diferentes expectativas e diferentes formas de trabalhar.

Ao mesmo tempo, a tecnologia aumenta a produtividade, acelera decisões e reduz o tempo disponível para aquilo que sempre foi uma das funções mais importantes da liderança: desenvolver pessoas.

E eu vivi isso na prática.

Ao longo da minha trajetória, participei de transformações que reduziram drasticamente atividades operacionais.

Cheguei a liderar operações com mais de 20 mil pessoas e vi esse número cair para cerca de 4 mil com a evolução da automação, digitalização e novos modelos de atendimento.

Mas existe uma coisa que poucas pessoas falam.

A tecnologia eliminou atividades.

Não eliminou a necessidade de pessoas.

O que mudou foi o tipo de competência exigida.

Pessoas que antes executavam tarefas repetitivas passaram a atuar em qualidade, treinamento, desenvolvimento de pessoas, melhoria contínua e análise de processos.

Outras equipes assumiram atividades mais consultivas, comerciais e estratégicas.

A tecnologia aumentou a eficiência.

Mas o resultado só aconteceu porque houve um esforço para preparar as pessoas para essa transição.

Por isso, quando alguém me pergunta se a IA vai substituir pessoas, eu devolvo uma pergunta:

Quem está preparando essas pessoas para os trabalhos que vão existir amanhã?

Porque o verdadeiro risco não é a tecnologia avançar.

O verdadeiro risco é o desenvolvimento humano ficar para trás.

E existe um segundo aprendizado importante.

Nem toda tecnologia que gera eficiência gera valor.

Participei de projetos gigantes de transformação digital que entregaram excelentes resultados financeiros.

Mas também vivi situações em que a experiência das pessoas não acompanhou a velocidade da mudança.

E isso exige maturidade.

Transformação não é impor tecnologia.

Transformação é criar adoção.

É gerar entendimento.

É preparar líderes para conduzir pessoas em ambientes que mudam cada vez mais rápido.

Curiosamente, uma das maiores reclamações que escuto hoje dos líderes não é sobre tecnologia.

É sobre engajamento.

“Não consigo engajar meu time.”

“As pessoas mudaram.”

“A nova geração pensa diferente.”

“É muita mudança ao mesmo tempo.”

E talvez esse seja justamente o ponto.

Estamos investindo em novas ferramentas.

Mas será que estamos investindo na nova liderança que essas ferramentas exigem?

Olha o risco.

Estamos criando organizações cada vez mais eficientes operacionalmente, mas potencialmente mais frágeis do ponto de vista humano.

E isso cobra um preço.

A estratégia deixa de chegar na ponta.

O engajamento diminui.

A rotatividade aumenta.

A dificuldade de formar profissionais cresce.

E os resultados começam a ficar abaixo do esperado.

Não porque a tecnologia falhou.

Mas porque o sistema esqueceu das pessoas.

Talvez esteja na hora de fazermos uma pergunta diferente.

Nós medimos ROI de tecnologia.

Medimos ROI de automação.

Medimos ROI de produtividade.

Mas quem está medindo o ROI do desenvolvimento da liderança?

Quanto custa uma estratégia que não chega na ponta?

Quanto custa uma equipe desengajada?

Quanto custa perder talentos porque ninguém os preparou para a próxima fase?

Eu sou prova de que desenvolvimento muda trajetórias.

Comecei minha carreira como atendente.

Alguém investiu tempo para me ensinar.

Alguém acreditou que eu poderia assumir desafios maiores.

Alguém ajudou a desenvolver competências que eu ainda não tinha.

Por isso me preocupa quando vejo empresas discutindo milhões em tecnologia e dedicando tão pouco tempo ao desenvolvimento das pessoas que precisarão liderar essa transformação.

Porque, no final, a tecnologia acelera.

Mas são as pessoas que direcionam.

E empresas que não investirem na evolução da liderança e dos seus times podem descobrir tarde demais que o maior gargalo da transformação não estava na tecnologia.

Estava na capacidade humana de acompanhá-la.

E você?

Na sua empresa, o investimento em tecnologia está sendo acompanhado pelo investimento no desenvolvimento das pessoas?